terça-feira, 22 de julho de 2008

O que seria de nós se não fossem os macacos


Eu poderia começar este texto de várias formas. Poderia perguntar se macaco quer banana, se vocês já fizeram alguma macacada na vida, essas coisas que seriam a praxes da contextualização mais usual. Como eu não me disponho a ser usual, vou colocar os dois motivos, os temas deste texto num hyperlink aqui no primeiro parágrafo mesmo, mas não cliquem ainda! Antes me agüentem falar mais um pouquinho.


É engraçado como a Publicidade trilha caminhos semelhantes em todo o mundo, sempre levada por tendências que se afirmam a cada temporada, ditando o que é certo ou errado, dentro ou não da estética considerada agradável aos olhos dos consumidores e dos júris de concursos de propaganda. E como viram no título ali em cima, falamos hoje dos bichinhos que volta e meia circulam pelas peças dos criativos por aí a fora.


O que me chama mais atenção até agora neste ano são duas propagandas em especial. E coincidentemente as duas trazem protagonistas primatas (aposto que ainda não haviam pensado nisso). São elas a “Don’t worry” da Leo Burnett Brasil e a “Cadbury’s Gorilla” da Fallon de Londres.


A primeira é tupiniquim e apresenta o novo Palio Adventure Locker com a nova função ELD. A cena que segue mostra um aventureiro desbravando uma floresta com seu novo Palio. E não mais que de repente o carro fica preso num pedregal, com o condutor impedido de sair por causa dos animais selvagens. E então mais repentinamente ainda ele, o piloto, e também nós espectadores nos surpreendemos com um macaco (com uma cara suspeitíssima) cantando Three little birds do Bob Marley. Por Bob e pelo macaco, me ganhou. Apesar da cara de que acabou de acender um, a atuação do nosso primo foi digna de Oscar (muito melhor que a do desbravador). Sensacional. O Tal bugio entra no carro e aciona o novo recurso, para que o rapaz continue a sua jornada. Conceito passado em cima de muita risada: perfeito.


O segundo vídeo traz um personagem bem mais introspectivo. Já viu algum show do Genesis? Mesmo em vídeos antigos, você já viu como o Phill Colins, ex-líder do grupo tocava a sua bateria? Se não viu, explico agora. O Phill tocava com a alma (pressão da p...). Suas apresentações, talvez por ser um baterista-vocalista, tinham que ser sempre teatrais e emblemáticas. Pois bem, imaginem agora um gorila de uns 200 kg tocando bateria. Agora imaginem tocando como o Phill tocava. Essa foi a sacada dos criativos da Fallon de Londres.


O produto a ser vendido era o novo chocolate da Cadbury que continha um copo e meio a mais de leite em sua composição. A assinatura da peça foi que me deixou com água na boca: “um copo e meio de alegria”. O que dizer depois de ver um gorilão quase em alfa tocando sua bateria ao som de In the air tonight (vejam a tradução da música, do trecho que toca no comercial. De arrepiar) e ver que se trata de um anúncio de chocolate com essa assinatura? Isso deve mesmo ser muito gostoso. Ah! Essa peça foi veiculada em 2007 e ganhou o Grand Prix em Cannes este ano, o maior prêmio no maior concurso de Publicidade e Propaganda do planeta.


Usar animais em propaganda não é tão novo. Eles cativam, chamam a atenção, envolvem o espectador, principalmente se são bonitinhos e engraçadinhos. O que há pra se inovar é a maneira como esses animais aparecem nas peças. Essas duas foram pra lá de inovadoras. São divertidas, por isso passam a mensagem de forma agradável e suave. Pronto, agora podem clicar no link lá em cima, perto do título desse texto, se já não clicaram. Comparem com o que eu disse, tirem suas próprias conclusões e não se assustem se virem um símio num carro com seu chocolate na mão. Don't worry about the things, because i can feel it come in the air tonight. Oh, Lord!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Com a palavra a palavra

Hoje sentei em frente ao computador e me fugiram as palavras. Pela primeira vez em minha vida fiquei sem minhas amigas de sempre. Logo hoje que eu falaria justamente delas, das palavras. Palavras que formam o nosso vocabulário, o nosso coloquialismo único, a nossa Língua Portuguesa, ou seria Língua Brasileira?


Nesse fim de semana assisti a um espetáculo no Teatro XVIII (XVIII-TÃO para os íntimos). A peça se chama Um Caso de Língua com o ator Urias Lima e dirigido por Carmem Peternosto. “... o espetáculo fala do português brasileiro, ou brasileiro ex-português...” apresenta o guia dos espetáculos, num folder distribuído na bilheteria. Pois bem, fui tão despretensiosamente que minha surpresa foi mais que agradável. De um texto leve, inteligível a todos os públicos (julgo), dinâmico e muito divertido, a peça traz a nós baianos um reencontro com a nossa linguagem dentro da língua, a língua falada, a normativa, faz um questionamento sobre o que é melhor para a nossa língua brasileira – engordar com os neologismos nascidos no “gueto” e estrangeirismos usados ao extremo ou controlá-los de forma racional.


A atuação de Urias é instigante. Une-se tão integralmente à idéia do espetáculo que não há como negar (e nem tem como, é dele mesmo) que o texto foi escrito de seu próprio punho. Começa com uma viagem à invasão ao território tupiniquim da esquadra de Cabral, chamada pelos portugas de descobrimento. Daí bebe da fonte primaz de nosso idioma, a flor do Lácio, e assume a mistura das duas correntes étnicas que ajudaram a formar o que falamos e escrevemos hoje, a negra e a indígena. Diz coisas da Angola, em Yorubá, fala do tupi (uma das partes mais emocionantes, quando o ator incorpora um caboclo que reclama a Língua como sendo sua), de Portugal, de nós, do que nos define como povo, nossa identidade cultural.


Além disso, somam-se aspectos do nosso cotidiano, coisas comuns a todo baiano que se preze, muita música (boa), sarcasmo e ironia que não soam pedantes, discussões interessantes sobre o tema, tudo apresentado com uma simplicidade que parece treinada. Numa cena impagável, descreve a sexualidade através da sintaxe da Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Um encontro entre um sujeito e um artigo feminino contado com tanta hilaridade que só vendo pra saber.


E é incrível, mas no XVIII-TÃO (e no Vila Velha, no SESC/SENAC, no Gamboa, no Xisto Bahia...) se oferece entretenimento de qualidade por apenas quatro reais. E ao final do espetáculo os aplausos de pé com gritos de “maravilhoso” como acompanhamento confirmam essa qualidade. Hoje as palavras me fugiram, mas as alcancei a tempo de escrever pra vocês e recomendar esta peça que fica em cartaz às sextas, sábados e domingos de Julho, às 20h. Agora só as deixo um pouquinho pra compartilhá-las aqui no blog, e se quiserem ver a peça também tá valendo (palavra por palavra).

terça-feira, 8 de julho de 2008

É foda... eba!

Um dia em que mandarei meu igual se foder e ele não ficará ensandecido!

Um dia em que os jovens não se envergonharão ao falarem sobre sexo com seus pais!

Um dia em que gozar com a cara de alguém será bom para ambos os lados da gozação!

Sim, um dia.


Perdoem-me as palavras chulas, o vocabulário roto, o duplo sentido, mas o tema me eleva a um degrau a cima de um estado pleno de consciência. Sim, senhoras e senhores, eu falo do sexo. Falo além, do dia do sexo. É possível? Sim, é provável. Alguém teve a brilhante idéia de conferir ao sexo uma data especial em nosso calendário. Mas há segundas intenções por de trás da iniciativa (e terceiras, e quartas, e quintas...). Vejam comigo a pureza da resposta da criança.


Outro dia fui surpreendido por algo inusitado quando falava com um amigo no Messenger. Sabem que as pessoas colocam frases junto aos seus nicks, que os identificam, ou que passam alguma mensagem que queiram. Pois bem, vi a seguinte frase: “Sou a favor do dia do sexo: www.diadosexo.com.br” Fiquei intrigado e acessei o link. Daí fiquei mais intrigado ainda. Chegando ao endereço me deparei com uma inteligentíssima campanha a favor da adoção desta data como nossa homenagem a pública à furnicação. Observando o site entendi o porquê desse ato tão solene. A empresa autora da campanha é a marca de preservativos Olla. Eu disse que a idéia era inteligentíssima? Não, é genial. Mas há ressalvas.


Olha só o poder que a Publicidade tem. Quando os criativos contratados decidiram criar um dia em homenagem ao sexo, relacionaram a funcionalidade do produto vendido pela marca à ação. Todo ano nesta data e por algum tempo depois da ação, será gerado um recall para a Olla com garantias de boas lembranças. E vê a data escolhida para ser o dia do sexo: 06 de setembro, um dia antes do dito dia da independência do Brasil. É a declaração da independência sexual do brasileiro oficializada. A campanha na verdade consiste em recolher a partir do site divulgador um número de assinaturas que validem a coisa. Esse abaixo-assinado será entregue a algum órgão do governo que regulamentará ou não o dia G.


wallpaper disponibilizado no site



As ressalvas? Bem, o que pode acontecer com esta ação é não se garantir em credibilidade, pois é feita por uma empresa que tem o sexo como mote de sua produção (ou seja, não seria pelo sexo em si, mas sim pelo aumento do volume de vendas). Ainda, não sei se há na constituição espaço para atribuição de datas comemorativas a temas com interesses comerciais. Além disso, é uma campanha claramente dirigida ao público jovem, como trabalha o site e a linguagem. Não sei quantos membros em riste deixarão seus CPFs em um site para tal fim. Como são jovens, é possível e provável, mas ainda assim muita gente não vai comer nada (no bom sentido). Nós já temos o dia do orgasmo, 31 de julho; um governador de um estado na Rússia já criou o dia do sexo (chupada, tudo a ver!), mas não vamos estragar a brincadeira.


Achei a atribuição da ação a uma marca de preservativos genial, criativamente falando. A escolha da data também é sugestiva, e nós brasileiros já temos uma inclinação a temas transversais (literalmente). Pelas ressalvas comentadas a cima eu não assinei o manifesto. Mas como publicitário, bem que eu gostaria de ver esta ação dando certo. Dando muito certo.